Lula, a Amazônia e os países ocidentais. Ao me deparar com o artigo "Brazil Seeks West's Aid on Amazon" do Associated Press, encontrado no NYTimes, minha primeira reação foi postá-lo no Twitter e publicar a versão em português aqui. Como não existia, fiz eu mesma a tradução, confiram:
Opinião:
"Brasil busca auxílio do Ocidente na Amazônia"
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira que os países ocidentais deveriam pagar pela prevenção do desmatamento na floresta amazônica pois esses países têm causado muito mais destruição ambiental no passado do que os madeireiros e agricultores locais.
Lula fez estas declarações momentos antes de começar a conferência sobre a Amazônia, na qual delegados assinaram uma declaração pedindo ajuda financeira ao mundo industrial para deter o desmatamento.
Ele disse que não queria que as nações ricas "nos pedissem para deixar um residente da Amazônia morrer de fome debaixo de uma árvore."
"Queremos preservar, mas eles vão ter que pagar o preço por essa preservação, porque nós nunca destruímos nossa florestas como eles destruíram as suas, há um século atrás."
Lula convocou a reunião para formar uma posição unificada sobre o desmatamento e a mudança climática com as sete nações da Amazônia antes que a reunião de Copenhague começasse. Mas apenas dois líderes das mesmas participaram.
Parece-me que o Brasil já possui suficientes riquezas e que não precisa mais ficar justificando atrocidades sendo cometidas contra a natureza, como é o descaso com a floresta amazônica. Querer que países ocidentais paguem o preço pela preservação de patrimônio brasileiro, quando estes enfrentam desafios ainda mais sufocantes no âmbito ambiental, é com certeza uma má ideia.
De fato, é uma péssima ideia. Afinal, a floresta amazônica já é considerada patrimônio mundial e por essa mesma razão, caso o pedido de Lula fosse um dia vir a se realizar, 'vendê-la' aos países que, como ele mesmo disse (e com razão), já destruíram muito o planeta, seria mais uma oportunidade para acabar com mais uma riqueza natural e afetar ainda mais o nosso frágil meio-ambiente.
Além do mais, que eu saiba, não tem ninguém mais passando fome no Brasil. Se tiver, então há algo de errado com seu programa social que diz ter erradicado a pobreza extrema.
Mas, o presidente do Brasil passa uma mensagem importante para o mundo, ao lembrar que a obrigação de preservação e a responsabilidade pela destruição devem ser compartidas, mas não deve-se esquecer que deve liderar com exemplo. Até agora não tenho razão nenhuma para acreditar que o Brasil irá comprometerse na meta proposta, pois o governo atual não tem poder de palavra. Cumpre só o que parece ser conveniente, conveniente à sua candidatura, para manter o roubo político, o estado de absoluto caos, em que a maioria dos países do continente latino-americano vivem.
Por isso, aconselho àqueles que estejam por aí ouvindo essa mensagem a que sejam bem cautos em alabar ou criticar as palavras do presidente brasileiro e seu governo. E para não dizerem que sou contra o governo atual e a favor do anterior, a mensagem continuará a mesma independente do resultado das eleições em 2010, 2014, etc.
Nosso planeta merece mais comprometimento das nações, das empresas, de todos nós. O aquecimento global é um assunto sério. Agora não é a hora de comprovar ou não teorias, achar culpados, é hora de corregir ações que já sabemos contribuem para a poluição. Precisamos elevar nossa qualidade de vida, já possuimos tecnologia e conhecimento para isso.
Especial: O blog será atualizado com notícias e opinião sobre a presença dos países latino-americanos na Conferência sobre o Clima realizado pela ONU em Copenhagen.
UPDATE 11.278.09: O comentário de Lula aparentemente não foi divulgado pela mídia brasileira, com exceção do artigo "Gringos terão que bancar preservação da Amazônia, diz Lula" publicado no Terra Notícias Online.
Fonte: The New York Times, The Associated Press e foto da BBC Brasil.