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Wednesday, November 25, 2009

A day to say "thanks", my thoughts on Thanksgiving

Um dia para dizer "obrigado", reflexões sobre o Dia de Ação de Graças e seu significado

Para quem não sabe, nesta quinta-feira dia 26 de novembro se celebrará o Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos. Um dia qualquer na maior parte do mundo, mas não assim para os americanos que vêem esse dia como um dos mais importantes do ano.

É um dia simbólico na cultura americana e como um bom feriado não falta, é claro, muita comida, principalmente o amigo Turkey, as famosas tortas de maçã e apple ciders. O dia é festivo. Tanto que em Nova York costuma-se celebrar o Thanksgiving com a parada feita por uma das lojas mais famosas no mundo, a Macy's. Mas tirando essa celebração, onde milhares de pessoas, principalmente crianças, acordam cedo e enfrentam o frio típico da época inundando as ruas da cidade para ver o desfile, as ruas ficam desertas, os negócios fechados. É como o nosso Natal, assim é o Thanksgiving americano.

[Aliás, por falar nisso, estou postando as fotos do evento, o primeiro que assisto nos meus quase 10 anos de América. Foi legal porque pude assistir VIP pois enquanto todos estavam na rua, estava bem aquecida e tranquila com meus amigos assitindo tudo do conforto de um edíficio de luxo na frente à avenida!]



Aparentemente os únicos que não aderem à celebração são, como sempre, os imigrantes, e também os famosos delis, mercadinhos locais, os únicos lugares comerciais que se encontram abertos no feriado. Para nós imigrantes é difícil a identificação com o feriado.

Quis entender, participar e por isso com o passar dos anos me uni a outros americanos na celebração. Mesmo assim não podia sentir de perto o significado desse dia. Os anos foram passando, no entanto, e comecei a perceber o real valor do dia ao entender que a grande moral é dizer, simplesmente, "obrigado"! É que ao dar as graças pelo que se tem, sem ter aquela cobrança típica de época natalina, que a gente aprende a realmente dar valor à esta data.

Não sei se faz sentido ou não, mas é raro que nós, como seres humanos que somos, estejamos satisfeitos com o que temos. Sempre queremos mais, é uma insatisfação que bem pode ser sadia pois alimenta nosso desejo de superação que geralmente traz progresso, ou bem pode ser negativa, lenvando-nos à depressão, o grande mal deste século.

Pense bem, dedicar um dia inteiro somente a se sentir grato pelo que se tem, é uma maneira de viver o momento, de estar E ser feliz com a vida.

É verdade que vários cometem suicídio em um feriado como este. Assim como no Natal e Ano Novo, várias pessoas encontram mais um motivo para estarem tristes seja por se sentirem sós, seja por não poderem evitar a infelicidade. Mas o Dia de Ações de Graças é a data perfeita para a celebração da vida. Pra mim, esse dia é sinônimo de felicidade, verdadeira paz, pois não há obrigação de agradar, somente o desejo de estar grato.

Esse sentimento de gratitude é muito poderoso e positivo. Os americanos, talvez por sua origem na maior parte evangélica, tem uma relação diferente com o dinheiro. Há extremos. Há o excesso de consumismo, o afã de chegar no topo custe o que custar, mas também há o outro lado. A sensação que a prosperidade é parte essencial do ser humano, sem aquele sentimento de culpa que nós latino-americanos bem conhecemos.

Por isso nesta data, quero somente dizer "obrigado" por tudo que tenho de bom, por ter saúde, meus pais vivos, um emprego, um lugar agradável onde morar, ter podido chegar onde cheguei, apesar de todas as dificuldades encontradas no caminho. Há motivos de sobra para estar de mal com a vida mas esse dia nos faz lembrar que há também motivos de sobra para não estar.

Termino de escrever este texto no dia posterior ao dia de ação de graças, o Black Friday. Pena que após um dia tão especial, siga-se um tão comercial, enfim, nada é 100% perfeito.

Logo vem o Natal para lembrar-nos que TEMOS QUE comprar presentes, TEMOS QUE estar com a familia, e para essa ocasião nada melhor do que lembrar de fazer comprar na Macy's... não é a toa que ano trás ano, são eles os responsáveis pela Thanksgiving Parade, que não por acaso acaba sempre com o desfile do Papai Noel carregando um saco de presentes. Fazer o quê, né?

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Saturday, November 14, 2009

Opinion of the Week: "Brazil takes off" - Special Report, from The Economist magazine.

Opinião da Semana: "Brasil decola" - Reporte Special da revista "The Economist".

Então, li o famoso artigo na revista "The Economist" e também vi as 14 páginas da reportagem sobre nosso querido Brasil, que na opinião deles é maior história de sucesso na América Latina.

Vou ser sincera, não li tudo ainda, mas o suficiente. Como já faz dois dias que não escrevo no blog, sinto a necessidade de escrever sobre o assunto. Por isso, ainda que incompleta, esta análise pretende somente ser o começo de minha resposta sobre o artigo.

Começo repetindo alguns dos comentários que deixei no Twitter após ler a versão online do artigo. Para os que ainda não leram o artigo, aqui está o link da história tirado direto da fonte. Vale a pena ler o original em inglês, os comentários são priceless!

[Falando em preço... acho um absurdo o preço da revista no Brasil. R$24.90? Really? Esse não é o valor de um livro no Brasil? Aqui a mesma custa apenas $6.99. Para ver os dois artigos publicados em português sobre a matéria da revista americana, clique aqui e aqui]

Enfim, voltando às minhas primeiras impressões do artigo. Bem feito, este artigo não se assemelha a muitos que vejo por aí (escritos pela própria revista) sobre a América Latina que são clueless, ou seja, não tem noção. O artigo realmente faz justiça à reputação da revista. No entanto, há muitas coisas alí que são questionáveis.

Por exemplo, a revista diz:
"And, in some ways, Brazil outclasses the other BRICs. Unlike China, it is a democracy. Unlike India, it has no insurgents, no ethnic and religious conflicts nor hostile neighbours. Unlike Russia, it exports more than oil and arms, and treats foreign investors with respect. Under the presidency of Luiz Inácio Lula da Silva, a former trade-union leader born in poverty, its government has moved to reduce the searing inequalities that have long disfigured it. Indeed, when it comes to smart social policy and boosting consumption at home, the developing world has much more to learn from Brazil than from China."
Vejo alguns problemas aí. A revista diz nele que o Brasil em algumas maneiras supera os outros países que compõem o BRIC. Em muitos aspectos tem razão. Mas onde vejo grandes pontos de interrogação é quando afirmam que somos uma democracia, que tratamos os investidores com respeito e quando elogia nosso atual política social.

Primeiro, claro que somos democracia, e não comunismo, como na China, no sentido técnico da palavra. Mas não sei, não. Não fica muito claro pra mim como pode o Brasil ser um país democrático se nele há tanta desigualdade e injustiça, mantida através da manipulação e roubo constante de seus governantes e elite dominante que apóia a censura e manipula os votos com projetos sociais. Mas, enfim, deixemos para discutir esse assunto mais tarde.

Continuando, o segundo ponto, é que dizem que o Brasil trata os investidores com respeito e elogiam a smart, esperta, política social. A revista reconhece em outro parágrafo de seu artigo que há muitos problemas no Brasil, principalmente com corrupção. Li a conclusão do reporte, e lá a revista se justifica dizendo que não fala mais sobre esse assunto pois afinal é uma revista de economia. Tem razão, não tem obrigação de tocar no assunto. Porém...

De fato, a revista não é sobre política, nem deve ser, e não é que eles ignorem na sua reportagem o lado político, mas que subestimam grandemente a questão. E com isso, a capacidade de nosso povo em dar a volta por cima. "Huh? Do que você está falando?", vocês devem estar se perguntando. Logo mais vou tentar explicar a relação, mas por enquanto quero voltar ao que a revista diz no parágrafo acima.

A revista, como mais um meio de comunicação, usa de sua reputação e prestígio, mesmo que muitas vezes desmerecido, para promover ideias. A economia não é assunto qualquer. É assunto díficil, complexo e não é pra qualquer um. Mas tomar decisões econômicamente acertadas em um país mudam o destino das pessoas. É de interesse de todos.

Por isso, o The Economist, não perde a oportunidade para incluir no meio de sua séria e excelente análise, frases como essas que são duvidosas. Sim, porque apesar de ser verdade, é uma verdade mascarada de intenções não tão óbvias para a maioria que as lê. Quando diz que o Brasil trata os investidores com respeito, é também uma forma de reforçar os forecasts que eles e outras agências de rating já fazem. Assim, se trata de uma self-fulfilling prophecy. Não é uma profecia que se cumpre por casualidade mas por causalidade.

É muito conveniente para eles demostrar entusiasmo com o fato que o Brasil tem os braços abertos aos investidores estrangeiros. Claro. Não sou contra o investimento estrangeiro, e confesso que pouco sei sobre os efeitos de uma ou otra política econômica. Nunca tomei sequer uma aula de economia, mas basta-me ler notícias sobre a situação econômica das empresas nos EUA diariamente e ver o colapso causado pelo abuso das mesmas sobre o governo para sentir muito medo dessa relação, que parece-me mais ser um romance, entre o Brasil e os EUA.

Claro que os inverstidores estrangeiros e o governo do Brasil facilita o cortejo, a paquera. Existem múltiplos benefícios; a maioria deles, econômicos. E se alguém se pergunta de onde veio tanto "interesse", para "influenciar" o Comitê Olimpico e a opinião mídiatica internacional vista recentemente na propagação de notícias sobre o sucesso brasileiro, não é díficil imaginar de onde, né? O Brasil segue sendo o mesmo que sempre foi, só que agora ele é financeiramente atrativo.

Não são só as empresas e empresários estrangeiros e investidores que estão faturando a mil no Brasil. A smart policy, ou política esperta, aliás, espertíssima, de nosso governo atual, que se diz de esquerda, é realmente de se louvar. Conseguiu melhorar a reputação do país dentro do país e fora dele pois ao tirar indivíduos da extrema pobreza, ele também conseguiu elevar o nível de "classe média", uma grande massa de individuos que vivia na pobreza. Agora, estes vivem, não na pobreza, mas na ilusão de uma vida melhor. O poder de crédito que estes recebem e a grande capacidade de enriquecer não somente os bancos, mas as indústrias de consumo são realmente motivos para qualquer economista elogiar. É realmente uma "benção".

Realmente não há nada de errado nisso. Afinal, se a economia se fortalece com o consumo, supostamente, também se fortalece nossa situação individual. No entanto, a própria revista, em seu reporte especial faz menção às semelhanças entre o Brasil e os EUA. Sob o aspecto consumista, estamos à caminho da prosperidade. Mas como o Brasil parece ter essa atitude de irmão menor acomplexado pelo sucesso do irmão mais velho, ele tenta seguir os mesmos passos deste. Só que debochando, buscando se dar bem, fazendo as coisas diferentes, e no fundo, no fundo, se desvaloriza, esquece-se de suas próprias qualidades e peca por valorizar exatamente o que há de pior na atitude de seu irmão maior.

É. O artigo traz algumas pérolas. Entre as melhores, a que a vitória do governo atual provêm do anterior e o elogio ao governo atual por manter o sistema econômico criado anteriormante. Mas assim também, como essa e muitas outras excelentes análises sobre nosso país, o artigo demostra, uma e outra vez, que o que mais teme é que o Brasil alce vôo. É por isso que não trata das questões negativas com a seriedade que deveria. A verdade é que o Brasil tem potencial, sempre teve, de ocupar o lugar americano no mundo. Claro, que não o fará tão logo e não do jeito que vamos ao querer copiar atitudes americanas. Afinal, nada vejo nada louvável em imitar o papel mais tirânico do imperialismo moderno.

Não é à toa, nem é errado dizer, que o maior desafio para o Brasil é a prepotência. Afinal, esse foi o caminho tomado pelos EUA. É esse o caminho do governo atual à seus próprios cidadãos. Como dizem pela América Latina, se les subio el humo a la cabeza. Ou seja, estão se achando. Sim, esse é um "perigo" sim. Já que somos conhecidíssimos pela tolerância e simpatia de nosso povo. Tolerância que às vezes é até demais, pois continuamente deixamos pra lá coisas que não deveríamos, em nove de viver uma vida 'tranquila'. Pena que não concorde com que esse seja o maior desafio. Pra mim, o motivo real pelo qual a revista astutamente aponta esse como maior risco é por que teme o avanço real do Brasil.

A revista sabe bem que o Brasil é um grande tesouro, assim como pedra preciosa, que nunca foi polida, nosso país, é fonte inimaginável de riquezas. Eles mesmo dizem isso ao mencionar nossa criatividade e estão tranquilos, pois pensam que no Brasil não teremos mais uma segunda 'Embraer', ou que não sejamos capazes de criar 'Harvards', ou uma empresa que chegue aos pés da gigante Google. Se arriscam a fazer tal previsão porque evitam falar sobre o problema principal, que é a causa de nosso atraso.

Volto, uma e outra vez, a pensar, que a revista errou. Falhou mesmo em não discutir com mais detalhe os grandes problemas que existem no nosso país. Nem sequer se deram o trabalho de descrever os desafios, simplesmente mencionaram uns poucos, dentre eles o problema da corrupção, da educação e de nosso sistema juridico, por exemplo.

Concordo que realmente não pertence à análise, e nem é assunto da revista, mas em perspectiva, faria muito mais sentido não ignorar tais problemas. Mas claro, isso não é conveniente nem pra eles, nem para o Brasil. Ao invés, falam sobre ilusões. Dizem:
"The country has established some strong political institutions. A free and vigorous press uncovers corruption—though there is plenty of it, and it mostly goes unpunished."
Eu não entendo a qual forte instituições políticas eles se referem: a do governo atual, aquela que apóia os Collors, Sarneys, e milhares de outros sangue-suga da vida? A impressa é livre? Como assim? E o caso do jornal O Estado de São Paulo e os de vários blogs de respeito, como A Nova Corja, que se vem obrigados a ficar calados quando procuram revelar casos de corrupção. Parece-me que isso é censura. Um sistema político forte? Faça-me o favor...

Essa é minha grande crítica ao artigo. Vale a pena ressaltar que o reporte contém uma análise profunda, com contribuições valiosas de diversos especialistas de respeito no Brasil e no mundo. Mesmo assim, creio que, ao erroneamente reportar e ignorar os graves problemas encontrados, principalmente nas instituições políticias e na falta de uma imprensa livre, isso desvaloriza em parte a matéria.

Sem uma análise que leve mais em consideração esses aspectos, onde números e estatísticas, e história, seja tão importantes quanto questões humanas, os economistas aumentam ainda mais suas chances de erro ao retratar o presente e possível futuro de nosso país.

Talvez por refletir uma verdade conveniente, talvez pelo pensamento equivocado que o lado social não vá influenciar os investimentos, ou talvez ainda, pelo temor, que estes venham a influnciar demais, é que a revista ignora estas importantes questões. Pois afinal, foi através da indiferença aos problemas sérios que vemos hoje nos EUA a grave crise econômica.

Mais ainda é cedo. Não terminei ainda de ler todas as 14 página e como disse anteriormente, pouco sei sobre macro ou micro-economia. É por isso que me dispus a começar o dialógo.

Pretendo escrever um artigo em inglês com o lado político do Brasil e enviar à revista. Nesse aí, o Brasil provavelmente decola, mas corre o risco de explodir logo após o lançamento.


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Monday, October 12, 2009

What's happening in America?

O que acontece com os Estados Unidos da América?

Estamos a caminho do último trimestre do ano e a situação no país do Tio Sam continua crítica. Mesmo após a mudança de governo, passando da "Era Bush" à "Era Esperança".



O problema com o slogan "Hope" é que a palavra esperança geralmente representa um sonho, uma ilusão. Dizem que a esperança é a irmã mais pobre da fé. É um pode ser, mas sem certeza que algum dia será.

A fé, no entanto, é válida por sí mesma. É o acreditar firmemente que as coisas mudarão e, apesar de geralmente ter conotação religiosa, é também usada fora deste parâmetros. Pense bem, seria este o momento do presidente americano apelar à fé e com a força de sua convicção fazer as coisas acontecerem custe o que custar?

É fácil para o mundo criticar os EUA em toda e qualquer ocasião. Especialmente após os muitos erros cometidos pelo mesmo mundo afora. No entanto, foi através da escolha de um presidente como Obama que este país e o mundo recuperou a "esperança" de uma vida melhor, um planeta melhor. Afinal, o Bush já era. O pior passara.

Mais será que só a esperança é suficiente em momentos como estes?

A questão é que a situação deteriorou de tal forma aqui que só a vontade de fazer não é mais suficiente para evitar a ruína: a disparidade sócio-econômica cresceu demasiado, a baixa qualidade em vários setores da sociedade como na saúde e educação, por exemplo, também são gritantes. Sem contar o controle do sistema na mão de alguns e o desleixo ao meio ambiente e outras questões tão essenciais a qualquer sociedade que já não podem mais ser ignoradas.

Ontem a indústria de seguradoras americana, que se encarrega do plano de saúde de milhares de americanos, se opôs abertamente ao plano de reforma do governo americano ameaçando subir os preços. Vejam a matéria Insurers Mount Attack Against Healh Reform que rendeu quase 10.000 comentários no Huffington Post.

Esta reforma tem um peso enorme pois é uma das grandes promessas do governo Obama. Até hoje algumas coisas foram feitas, porém ainda falta muito. Esta reforma seria uma grande vitória, caso fosse levada a cabo.

Existem várias questões esperando um desfecho: a questão ambiental precisa ser reajustada e alinhada à falta de energia limpa e geração de empregos no setor, o desemprego e a educação, os direitos humanos de milhares de americanos que sofrem ainda preconceito por preferências sexuais e, principalmente, à questão de imigração.

Não será simples para ele e seu governo conseguir as mudanças necessárias. Mas concordamos que algo deve ser feito. Está na hora de começarmos a ser firmes na execução da tarefa, Sr. Presidente, a América e o mundo parecem dizer.

A esperança não é mais necessária. Agora é a hora da fé.


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Wednesday, September 23, 2009

Perspectives: "Our Man in Tegucigalpa"

Perspectivas: "Um dos nossos em Tegucigalpa"
Por Rachel Glickhouse

Tradução: Simone Palma

Para ler o artigo original em inglês, clique aqui.

Venho seguindo a crise política em Honduras com certo interesse, sentindo que algo não estava certo, especialmente porque considero as perspectivas latino-americanas feita pela mídia americana com cuidado, com um "grão de sal". (como diz a expressão americana)

Mas, então, esta semana, a crise tomou um rumo interessante e despertou ainda mais meu interesse.

Manuel Zelaya, presidente de um pequeno país da América Central, fora deposto no fim de junho, fato que muitos rotularam como um golpe, já que fora a força militar que o afastara de Honduras. A resposta imediata do governo americano e mídia internacional foi uma de protestos, o horror de haver um golpe de Estado em nosso quintal, depois de supostamente tanto progresso democrático na região.

Mas eu fiz algumas pesquisas e o que eu descobri, como a expressão brasileira diz, não cheira bem.

Primeiro, vamos retroceder um pouco no tempo: Zelaya vem da elite rica do país e de uma família interessante. Em 1975, seu pai foi condenado, juntamente com outras sete pessoas por serem responsáveis pelo Massacre de Los Horcones, na qual quinze sacerdotes, ativistas sociais e agricultores foram assassinados perto da fazenda da família Zelaya. Mais tarde, lhe foi dada anistia.

Agora, passemos para frente - a razão pela qual Zelaya fora deposto com o apoio de muitos no governo de Honduras fora que ele estava tentando mudar a Constituição para continuar mais tempo no cargo, e até lançou um referendo pedindo aos eleitores para criar uma Assembléia Constituinte e reescrever uma nova Constituição, a partir do zero. Temendo que Zelaya planejasse dissolver o Congresso e o Supremo Tribunal, e tentando criar como Chávez, uma ditadura, os militares hondurenhos enviaram Zelaya para a Costa Rica. Um blogueiro politico hondurenho em favor de sua expulsão nos dá sua opinião:
A expulsão de Zelaya foi um crime, mas foi por esse crime que a atual ordem legal foi salva. Este não seria o caso se Zelaya tivesse cumprido a sua intenção de convocar uma Assembléia Constituinte, para dissolver o Congresso e o Tribunal Supremo. Este é um caso análogo ao princípio de auto-defesa em direito penal. Ao expulsar Zelaya o sistema agiu em legítima defesa, para sua própria auto-preservação.
Enquanto isso, eu chequei com um blogueiro americano que viveu em Honduras por muitos anos e segue a política de perto. E como era de se esperar, Zelaya e sua família têm milhões em contas no exterior, e após seu afastamento do poder, as autoridades descobriram que, "surpresa, surpresa", Zelaya tem roubado do governo e utilizado de fundos públicos, que incluem mas não se limitam, para: aluguel de helicópteros, compra de vinhos, charutos, jóias, um cuidador para seu cavalo, pinturas a óleo, um som para seu carro, reparos de motocicletas e esculturas. Soa familiar?

Mas aqui é onde o Brasil entra.

Depois de viajar por quinze horas, Zelaya e sua esposa entraram clandestinamente
em Honduras, na segunda-feira, onde decidiu fazer residência na embaixada brasileira. O governo brasileiro foi rápido em negar qualquer relação e Zelaya disse à imprensa brasileira que ele fora quem se aproximara dos brasileiros, mesmo não tendo a intenção de pedir asilo. Os militares hondurenhos cercaram o prédio, e cortaram a electricidade, água e linhas telefônicas da embaixada, apesar de que na noite passada eles tiveram sua água e eletricidade restauradas. O governo brasileiro está preocupado com seus funcionários, temem que os militares hondurenhos possam agir com violência. Entretanto, uma pesquisa mostra que os hondurenhos são fortemente contra a presença de Zelaya no país, que eles não acreditam que vai ajudar a resolver a crise.

Brasil pode parecer uma escolha lógica, como um porto seguro, dada a sua posição do país como o mais poderoso da América Latina e da posição diplomática de Lula como porta-voz a e representante para o mundo em desenvolvimento. Além disso, o Brasil tem tradicionalmente sido um mediador em conflitos latino-americanos, e consegue ser tanto um aliado dos EUA e amigo de Castro e Chávez.

Mas eu estou convencido de que os EUA estão por trás da coisa toda.

Presidente Lula e seu ministro de relações exteriores acontecem de estar em Nova York esta semana para uma reunião na ONU e o Lula irá aceitar um prêmio do Wilson Center. Sem contar, que o Lula tem uma relação muito boa com Obama, que também está em Nova York esta semana.

Robert White, presidente do Center for International Policy's no LA Times dá uma pista importante:
"Hugo Chávez, da Venezuela já ameaçou uma intervenção militar para restaurar a democracia em Honduras. Se os EUA continuarem a sentar-se à margem, Chávez poderia costurar uma coalizão para reinstalar Zelaya e criar um estado anti-americano em Honduras, que poderá servir como um ponto político e econômico para aliados de Chávez: os iranianos, chineses e russos. Milhares de pessoas na América Latina, de repente veriam Chávez, não os Estados Unidos, como aquele que garante a democracia e a liberdade - e estariam dispostos a fechar os olhos aos abusos e amigos desagradáveis.

Obama precisa reconhecer que, em Honduras, a democracia e a credibilidade de seu governo estão em jogo. Ao tomar uma posição lá, o presidente pode garantir que maiores ameaças à democracia e à segurança dos Estados Unidos nunca irão se desenvolver."


Então, por que fazer os EUA parecer como o cara ruim, como é frequentemente visto na América Latina, e ao em vez dar ao Brasil o trabalho sujo? Não é nenhum segredo que os EUA tende a trabalhar nos bastidores quando se trata de crises políticas na América Latina, e isto não parece ser diferente. Deixar o Brasil ajudar Zelaya entrar no país e esperar para ver o que acontece, antes de apoiá-lo oficialmente em seu retorno ao poder, mantém os EUA a uma distância diplomática que é segura, enquanto ela coloca o Brasil em posição crucial. Zelaya pode ser um líder corrupto e ineficiente, mas isso não é necessariamente um impedimento para o apoio dos EUA. Manter uma postura firme na ilusão da democracia nas Américas tem sido sempre uma grande prioridade para o governo americano. Eles vão se preocupar com outro Chavez quando vejam um - até então, nenhum golpe ficará impune.

Mas é apenas uma teoria minha - O que você acha?

Fonte: Adventures of a Gringa in Rio

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